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16/06/2016

BC reitera que cenário não permite trabalhar com hipótese de reduzir juro

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central repetiu, por meio da ata de sua última reunião, divulgada nesta quinta-feira (16), que o cenário central com que trabalha ainda não permite trabalhar com a hipótese de “flexibilização das condições monetárias”, ou seja, de redução da taxa básica de juros.

Na reunião, realizada na semana passada, o Copom decidiu mais uma vez manter a taxa de juros (Selic) estável em 14,25% ao ano – o maior patamar em quase dez anos.

No documento divulgado nesta quinta-feira, a autoridade monetária explica que sua posição, de manter a taxa de juros, tem por objetivo reduzir a inflação aos limites estabelecidos pelo Comitê Monetário Nacional (CMN) para 2016, que é de até de 6,5% no ano. Além disso, a ata cita o objetivo de levar a inflação, em 2017, para o centro da meta fixada, que é de 4,5% ao ano.

“O Comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera que o nível elevado da inflação em doze meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para flexibilização da política monetária”, informou, por meio da ata do Copom.

Contas públicas

No documento, o Banco Central avalia também que, no que se refere ao resultado fiscal (das contas públicas) estrutural (que exclui receitas atípicas), o balanço do setor público encontra-se em “zona expansionista”, ou seja com aumento de gastos. Recentemente, o governo conseguiu autorização do Congresso Nacional para um rombo fiscal recorde de até R$ 170,5 bilhões neste ano.

“Sobre o combate à inflação, o Comitê destaca que a literatura e as melhores práticas internacionais recomendam um desenho de política fiscal [relativo às contas públicas] consistente e sustentável, de modo a permitir que as ações de política monetária sejam plenamente transmitidas aos preços”, acrescentou.

Previsão de inflação para 2016 e 2017

O Copom informou ainda que, no chamado “cenário de referência”, que considera juros estáveis em 14,25% ao ano e câmbio inalterado em R$ 3,60 por dólar, houve aumento da sua projeção para a inflação em relação ao valor considerado na reunião anterior (realizada em abril), para 2016, mas queda para o ano de 2017.

Já no “cenário de mercado”, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros esperada pelos economistas dos bancos, a projeção de inflação para 2016 também subiu em relação ao valor considerado na reunião de abril, mas, para o ano que vem, houve recuo na estimativa. “Entretanto, as projeções encontram-se acima da meta de 4,5%, tanto para 2016 quanto para 2017”, informou.

Mudança de comando na autoridade monetária

Essa reunião do Copom, realizada na semana passada, foi a última comandada pelo atual presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele já deixou o cargo e foi substituído por Ilan Goldfajn, indicado pelo novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Deste modo, a ata do Copom é considerado um documento antigo, feito pela diretoria anterior da autoridade monetária. Suas sinalizações, portanto, podem não se concretizar com a mudança na Presidência do Banco Central.

Sinalizações do novo presidente do BC

Durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, Goldfajn afirmou que buscará atingir a meta central de inflação, que é de 4,5% ao ano para 2016 e 2017. Com o intervalo de tolerância, o teto do sistema de metas é de 6,5% para este ano e de 6% o ano que vem.

“Quero cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo CMN [Conselho Monetário Nacional], mirando o seu ponto central. Os limites de tolerância servem para acomodar choques inesperados que não permitam a volta ao centro da meta em tempo hábil”, declarou ele na ocasião.

O novo presidente do Banco Central, porém, ainda não informou se pretende tentar cumprir a meta central de 4,5% já em 2017, ou até mesmo se poderá adotar uma meta ajustada (mudando o objetivo central) para o ano que vem, retomando a busca pela meta central (que ainda não foi fixada pelo Conselho Monetário Nacional) somente em 2018.

Em meio ao fraco nível de atividade e ao aumento do desemprego, os índices de inflação têm mostrado queda. Com isso, o debate, neste momento, não é mais sobre a possibilidade de aumento de juros, mas sim quando o BC começará a reduzir a taxa básica da economia.

Fonte: G1

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