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20/03/2019

Bolsonaro tem encontro com militares para fechar texto da reforma

De volta ao Brasil, após visita aos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro vai despachar nesta quarta-feira no Palácio da Alvorada, residência oficial. Agora pela manhã, o presidente recebe o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, para fechar o texto da reforma da previdência dos militares.

Na reunião como os militares, marcada para às 10 horas, estarão presentes os chefes das três Forças Armadas: o almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior, Comandante da Marinha; o general Edson Leal Pujol, comandante do Exército; e o tenente-brigadeiro do ar Antonio Carlos Moretti Bermudez, comandante da Aeronáutica.

O PL que muda as regras de aposentadoria dos militares e reestrutura as carreiras causou ruído dentro e fora do governo, e evidenciou a disputa e falta de entendimento entre equipe econômica e militares em torno da redução da despesa esperada.

A expectativa é que o texto seja encaminhado ao Congresso ainda hoje, como prometido pelo governo.

A minuta do texto enviada na semana passada do ministério da Defesa para o ministério da Economia enfrentou resistência dentro dos quartéis que, segundo fontes, veem na reestruturação da carreira uma possibilidade de favorecimento maior de oficiais de alta patente.

No fim de semana, militares e praças mostraram indignação com as mudanças em grupos internos. A avaliação é que, se a reforma não for bem explicada, ela poderá desgastar o governo do presidente Jair Bolsonaro de uma forma que extrapole os quartéis, causando desconforto não só porque o presidente é um capitão reformado como também porque seus principais auxiliares são oriundos das Forças Armadas.

A avaliação de fontes do ministério da Defesa, que acompanharam a elaboração da proposta, é de que não houve uma compreensão do espírito das mudanças. “Procuramos a valorização do mérito para que o militar busque o aperfeiçoamento sabendo que vai ganhar mais”, completou.

No ministério o racha entre os militares foi reconhecido por algumas fontes, mas atribuído a “falhas de comunicação”. “Quando se tentou colocar na carreira dos praças a graduação de sargento-mor isso gerou mau entendimento. Alguns entenderam que estava se tentando postergar ou colocar um freio na carreira e atrasar as promoções, mas o espirito absolutamente não é este”, disse um general que preferiu não se identificar.

O sentimento na cúpula dos militares é que o presidente Jair Bolsonaro pode pedir justamente para que esse ponto seja retirado do projeto. “É o presidente que vai bater o martelo, ele vai dizer se é para tirar ou explicar melhor”, disse uma fonte. “Acho que hoje, pelo clima que foi gerado, vai haver um recuo”, completou outro militar que acompanha o tema.

À tarde, a agenda do presidente prevê reunião com o ministro da Educação, Ricardo Vélez, que atravessa uma crise em torno da influência do escritor Olavo de Carvalho na pasta.

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