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15/01/2021

Caminhoneiros de MS não vão aderir a paralisação, alerta sindicato

Segundo o representante do Sindicam/MS, Roberto Sinai, o atual momento da crise econômica em decorrência da pandemia, não permite que a greve chegue no Estado

 

Prevista para acontecer no dia 1º de fevereiro no País, a paralisação dos caminhoneiros não será aderida pela categoria de Mato Grosso do Sul. Segundo o representante do Sindicato dos Caminhoneiros de Mato Grosso do Sul (Sindicam/MS), Roberto Sinai, o atual momento da crise econômica em decorrência da pandemia, não permite que a greve chegue no Estado.

“Os caminhoneiros de MS não vão parar, pois agora é o momento de ganhar dinheiro. Temos a safra da soja para os próximos meses. Deve haver uma discussão democrática com o governo, e paralisar não é a forma correta de fazer reivindicação, pois muitos vão sair perdendo”, destaca ao portal A Crítica.

A nova greve nacional dos caminhoneiros vai contar com o apoio de 21 estados brasileiros, segundo o presidente da Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci. O presidente da associação alega que o movimento poderá ser maior do que a realizada em 2018, devido ao grau crescente de insatisfação da categoria, principalmente em relação ao preço do diesel e às promessas não cumpridas após a histórica greve no governo Temer.

Na visão de Sinai, com a falta de oferta de carga é provável que a paralisação tenha sucesso. “Não que não haja motivos para paralisar. Até o momento não fomos atendidos, não houve reunião da categoria com o governo. O caminhoneiro está sem ganhar dinheiro desde o ano passado devido a Covid-19. Não temos oferta de carga, não tem muito volume de trabalho, como que vamos paralisar?”, diz.

O representante da Sindicam/MS que conta com mais de 19 mil associados no Estado, ressalta que a tendência é que as coisas passem a melhorar a partir de março e com a chegada da vacina. “Como que vamos parar de fazer se estamos precisando mais do que nunca? Caminhão parado não ganha dinheiro. Nós temos o tempo certo para reivindicação e por isso estamos orientando os colegas a não pararem os trabalhos, pois este não é o momento. Não vamos aderir, por que o sindicato é feito de várias mãos, e a maioria acha que o momento não é de paralisação. Depois de um ano de muitas dificuldades, estamos começando a ver uma luz no fim do túnel”.

ANTB – Integrante do Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), que na semana passada já alertou para a possibilidade de uma paralisação nacional, a ANTB representa cerca de 4,5 mil caminhoneiros, e não vê problema de realizar uma greve em plena pandemia.

“A pandemia nunca foi problema. A categoria trabalhou para cima e para baixo durante a pandemia. Muitos caminhoneiros ficaram com fome na estrada com os restaurantes fechados, mas nunca parou”, afirma Stringasci.

Segundo ele, a alta do preço do diesel é o principal motivador da greve, mas conquistas obtidas na paralisação de 2018, que chegou a prejudicar o abastecimento em várias cidades, também estão na lista de dez itens que estão sendo reivindicados ao governo para evitar a greve.

“Esse (diesel) é o principal ponto, porque o sócio majoritário do transporte nacional rodoviário é o combustível (50% a 60% do valor da viagem) Queremos uma mudança na política de preço dos combustíveis”, informa.

Ainda monopólio da Petrobras, a produção de combustíveis no Brasil passou por mudanças em 2016, quando foi instituído o PPI (Preço e Paridade de Importação), praticado até hoje. Na época, os reajustes eram praticamente diários, seguindo a flutuação do mercado internacional, mas agora obedecem apenas a lógica da paridade, sem prazo determinado.

“A Petrobras não foi criada para gerar riqueza para meia dúzia, a Petrobras é nossa e tem que ajudar o povo brasileiro e o Brasil”, afirma Stringasci. “Queremos preços nacionais para os combustíveis, com reajuste a cada seis meses ou um ano. Essa é uma das maiores lutas nossas desde 2018, e até antes, e até hoje”, destaca.

Outras reivindicações são o preço mínimo de frete, parado no Supremo Tribunal Federal (STF), após um recurso do agronegócio, e a implantação do Código Identificador de Operação de Transporte (Ciot), duas conquistas de 2018.

Para resolver a questão e evitar uma greve, os caminhoneiros querem uma reunião com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, que recebeu o apoio da categoria nas eleições de 2018. “A categoria apoiou ele em 100% praticamente nas eleições. Então agora exige a presença dele na reunião”, explica.

 

Foto: Tânia Rego/ABrasil

Fonte: A Crítica

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