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31/07/2017

Com juro menor, investimento sem risco e rendimento alto fica no passado; entenda

Os tempos em que era possível investir sem riscos e conseguir retornos de 15% ao ano ficaram para trás. Com a queda consistente da taxa básica de juros, a Selic, os investimentos em renda fixa (aqueles com rendimento pré-acordado) rendem menos neste ano e proporcionam ganhos próximos aos da poupança, a opção mais conservadora do mercado.

A Selic, que estava acima de 14% ao ano até o fim de 2016, sofreu cortes progressivos na medida em que a inflação baixou e está hoje em 9,25%. Nos últimos 12 meses encerrados em junho, o índice geral de preços ficou em 3%.

A taxa básica de juros é uma referência para investimentos no Tesouro Direto e fundos de renda fixa. Ela também influencia o comportamento do CDI, taxa de referência para os fundos DI e para os investimentos nos CDBs, os títulos de dívida emitidos pelos bancos.

“Foi-se a época em que se conseguia 15% [ao ano] de rendimento sem risco, acabou. Isso só volta se a economia piorar muito [e os juros tornarem a subir]”, diz o economista Alexandre Cabral.

Impacto nas aplicações

Para quem é avesso ao risco e quer investimentos seguros, a renda fixa ainda é recomendada, explicam os especialistas ouvidos pelo G1. Mas os investidores que pretendem multiplicar seu patrimônio mais rapidamente terão de fazer apostas mais arriscadas.

Fundos de investimento

A Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) destaca que, com a queda da taxa básica de juros, os fundos de renda fixa “começam a perder competitividade frente às cadernetas de poupança principalmente nas aplicações de baixo valor.”

Segundo cálculos da entidade, com a Selic a 9,25% só é mais vantajoso apostar nesses investimentos nos casos em que a taxa de administração é menor que 1% ao ano e que o tempo para resgate é superior a seis meses.

O motivo é que incide imposto de renda sobre essa aplicação, além da taxa de administração paga ao banco ou corretora. Quem aplica valores altos nesses produtos consegue barganhar taxas mais baixas, além de rentabilidade melhor.

“Os fundos de curto prazo, nos quais se pode investir com R$ 100, devem estar rendendo por volta de 6,5% ao ano, praticamente batendo com a poupança. E o investidor ainda tem que pagar imposto de renda e IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o retorno. Nesses casos, a poupança deve voltar ao radar das aplicações financeiras”, afirma Otto Nogami, economista e professor do Insper.

Atualmente, a poupança paga juros de 0,5% ao mês (ou 6,17% ao ano) mais a variação da TR (a Taxa Referencial, que é calculada com base nos rendimentos dos CDBs, os títulos de renda fixa emitidos por bancos. De acordo com números da Anefac, essa rentabilidade atualmente está em 0,55% (o equivalente a 0,5% mais a TR). Ou seja: em todos os cenários em que o rendimento dos fundos fica abaixo desse patamar, vale mais a pena deixar o dinheiro na poupança.

Caderneta de poupança

A caderneta de poupança poderá ter seu cálculo alterado se o juro da economia continuar a cair. Caso a Selic fique igual ou menor que 8,5%, ela passa a pagar ao investidor 70% dessa taxa. Isso vale para o dinheiro aplicado a partir de maio de 2012, quando as regras mudaram. Para quantias investidas antes dessa data, ou seja, na velha poupança, o rendimento de 6,17% é fixo.

A poupança é considerada uma das aplicações mais seguras, mas com baixo rendimento. Com a Selic mais alta, os economistas recomendavam que os investidores priorizassem outros investimentos de renda fixa, como o Tesouro Direto e os CDBs de bancos. Com a queda da taxa de juros, esse diferencial de juros diminui.

A vantagem da poupança é que ela é isenta de imposto de renda e tem liquidez diária.

Tesouro Direto

Para os economistas, investir em títulos públicos, independentemente da quantia, ainda é bom negócio. Esses títulos são vendidos às pessoas físicas por meio do Tesouro Direto. Algumas corretoras não cobram taxa de administração para seus clientes aplicarem nessa plataforma.

Os títulos públicos têm sua rentabilidade atrelada à Selic. Há títulos que pagam exatamente essa taxa. Outros pagam taxas prefixadas, mas elas costumam ser reduzidas quando a Selic cai.

“O Tesouro IPCA (que paga uma taxa fixa mais a inflação) e Tesouro Selic ainda rendem mais do que a poupança”, afirma Cabral.

CDBs de bancos

Os CDBs, títulos emitidos por bancos, também são impactados pela queda dos juros. Eles têm como taxa de referência o CDI, que se comporta em linha com a Selic. Mesmo assim, os economistas afirmam que há oportunidades de ganhos maiores na renda fixa nos CDBs.

“A gente consegue achar CDB de banco pequeno, mas com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com rendimento de 112% do CDI, aplicado por dois anos sem carência. Mas, ao ano, isso deve dar 9,5%, 10% [bem longe dos 15% de dois anos atrás]”, diz Cabral.

Os investimentos até R$ 250 mil são garantidos pelo FGC. Isso significa que se o banco que emitiu o título quebrar, o fundo vai ressarcir o investidor até esse valor.

Voos mais arriscados

Quem não quiser abrir mão da rentabilidade de dois dígitos terá que fazer investimentos mais arriscados, explicam os economistas. Mas eles alertam: se, por um lado, há uma oportunidade de ganhos maiores, há também a chance de perda, algo que é improvável na renda fixa.

Na renda variável, o investimento mais conhecido são as aplicações em ações, mas há alternativas mais seguras para iniciantes.

Um dos produtos que Cabral indica para os que querem se aventurar é o COE (Certificado de Operações Estruturadas), um investimento que mistura aspectos de renda fixa e variável e tem retornos vinculados a ações ou índices.

Ao emitir o COE, o banco cria possíveis cenários para o desempenho desse ativo vinculado e o investidor escolhe um. Por exemplo: ele pode apostar que a ação da Petrobras vai subir 5% no ano.

Se no vencimento do título a aposta do investidor se concretizar, ele recebe de volta o valor aplicado mais uma remuneração. Caso o resultado for negativo, o capital é devolvido integralmente, mas sem juros e correção monetária. Vale lembrar, porém, que o dinheiro perde valor com o tempo, por conta da inflação.

Fonte: G1

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