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09/04/2019

FMI reduz projeção para crescimento do Brasil em 2019 para 2,1%

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou a projeção de crescimento do Brasil para 2019 de 2,5% para 2,1%, ao mesmo tempo que elevou a estimativa para 2020, de 2,2% para 2,5%. Em relatório divulgado nesta terça-feira com as previsões para a economia global, o FMI ressalta que a “principal prioridade” do país deve ser conter o aumento da dívida pública, assegurando ao mesmo tempo que os “gastos sociais necessários permaneçam intactos”.

No documento, o Fundo não explica os motivos para a redução da estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro neste ano nem para o pequeno aumento da previsão para o ano que vem. Ao falar das perspectivas para a América Latina, o FMI afirma que a recuperação do crescimento de Brasil e México vai contribuir para a melhora do desempenho da região no médio prazo, citando então alguns fatores que pesam negativamente para o cenário econômico desses dois países: desequilíbrios fiscais, especialmente no caso brasileiro, termos de troca (a relação entre preços de exportação e de importação) contidos e problemas de rigidez estrutural, não especificados no texto.

Para o Fundo, o ritmo de expansão de médio prazo de Brasil e México tende a ficar no intervalo de 2,25% a 2,75%. Em 2017 e também em 2018, o Brasil cresceu 1,1%.

No relatório, FMI diz que o teto de gastos foi “um passo na direção correta de facilitar a consolidação fiscal”, enfatizando que o mecanismo aprovado em 2016, limitando o crescimento de gastos do governo federal à inflação passada, embute uma melhora anual de 0,5% do PIB no resultado primário (que exclui gastos com juros). “No entanto, mais ajustes antecipados são necessários, em especial cortes na folha de pagamento do setor público e reformas da Previdência, para limitar despesas crescentes, enquanto se protegem programas sociais vitais para os vulneráveis”. No texto, o FMI não menciona que programas seriam esses.

Na visão do Fundo, com a inflação ainda próxima à meta, a política monetária pode continuar frouxa para estimular a demanda. O FMI também menciona medidas que devem ajudar a aumentar a produtividade e as perspectivas de crescimento de médio prazo do país, como a reforma trabalhista e do mercado de crédito subsidiado (caso dos empréstimos do BNDES), esforços para melhorar a infraestrutura e a eficiência da intermediação financeira.

A análise faz parte do Panorama Econômico Mundial, documento divulgado nesta terça-feira, na reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, que ocorre nesta semana, em Washington.

Mesmo com a redução da estimativa para o crescimento de 2019, a previsão do FMI ainda está ligeiramente acima do consenso do mercado, que aponta uma expansão de 1,97% para este ano, segundo as projeções dos analistas consultados pelo Banco Central (BC). Para 2020, porém, ocorre o inverso. A estimativa do Fundo, de uma expansão de 2,5%, está abaixo do 2,7% projetado pelo mercado.

O FMI diz que o crescimento vai se fortalecer de 1,1% em 2018 para 2,1% em 2019 e 2,5% em 2020, refletindo em parte mudanças de percepção na direção das políticas do país sob um novo governo.

Em entrevista ao Valor publicada em 22 de março, o diretor para o Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner, não respondeu se o Fundo cortaria a projeção de crescimento para o Brasil, mas lembrou que houve uma “surpresa negativa” no resultado do quarto trimestre de 2018. Isso deixou uma “herança estatística” menor, de apenas 0,4% para este ano. Em resumo, se o PIB terminar 2019 no mesmo nível do ano passado, a expansão no ano será de 0,4%. Esse é um dos motivos que devem ter levado o FMI a reduzir a projeção para 2019.

O relatório também traz projeções para a taxa de desemprego, estimando que, na média de 2019, ela ficará em 11,4%, abaixo dos 12,3% do ano passado. Para 2020, a estimativa é de uma queda para 10,2%. O FMI estima ainda que o déficit em conta corrente deve subir de 0,8% do PIB em 2018 para 1,7% do PIB em 2019, recuando ligeiramente para 1,6% do PIB em 2020. É um nível manejável para o resultado das transações de bens, serviços e rendas do país com o exterior, que não preocupa, sendo amplamente financiado por investimentos estrangeiros diretos.

O documento traz também a projeção para a inflação média do ano, de 3,6% em 2019 e de 4,1% em 2020. A taxa acumulada no ano – o modo como se acompanha a inflação no Brasil – consta de uma tabela não antecipada à imprensa, publicada com a íntegra do relatório, a ser conhecida nesta terça-feira. A meta perseguida pelo BC neste ano é de 4,25%. Em 2018, a inflação acumulada no ano ficou em 3,75%.

 

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