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30/01/2018

Meta do BNDES é liberar R$ 90 bilhões em 2018, diz presidente

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, disse nesta segunda-feira (30) que a meta para 2018 é atingir R$ 90 bilhões em desembolsos, o que, para ele, seria um “avanço extraordinário”, além de uma “meta desafiadora”.

O BNDES anunciou nesta segunda que os desembolsos do banco, que representam o volume de empréstimos concedidos, caíram 19% em 2017 na comparação com o ano anterior, somando R$ 70,8 bilhões. O BNDES já havia confirmado o número ao G1.

Além de marcar o terceiro recuo anual seguido, o montante ficou abaixo da meta de R$ 77 bilhões.

Em novembro, Castro já havia reconhecido que a marca não seria batida. “Nós até comemoramos porque, suando, chegou nos R$ 70 bilhões”, disse a jornalistas nesta segunda.

Castro ressaltou que, apesar da queda dos desembolsos no ano passado, já é possível notar uma tendência de recuperação, assim como no volume de consultas.

Empréstimo cresce para empresas menores

Na direção contrária do resultado total de 2017, as micro, pequenas e médias empresas receberam um volume maior de recursos liberados pelo BNDES. O aumento foi de 9% no ano, batendo a marca de R$ 29,7 bilhões.

O valor representa 42% do total de desembolsos, o que significa um recorde histórico na participação de empresas pequenas e médias no volume total de empréstimos do banco de fomento.

Entre os setores beneficiados, o da indústria foi o que registrou a maior queda de desembolsos. O recuo foi de 50%, para R$ 15 bilhões (o que representa 21% do total liberado pelo banco).

O setor de comércio e serviços também terminou o ano com queda no volume de recursos liberados pelo BNDES, com retração de 20%. Os R$ 14,4 bilhões liberados para esse setor foram 20,5% do total desembolsado.

Já a agropecuária terminou o ano com alta de 3% de recursos liberados (R$ 14,3 bilhões), com 20,3% do total de desembolsos.

A área de infraestrutura teve aumento de 4% do volume de recursos. O setor teve R$ 26,8 bilhões liberados e, com isso, se firmou como o principal destino dos recursos do banco de fomento (37,9% do total liberado).

‘Crítica generalizada’

Falando a jornalistas, Castro fez o que chamou de “apelo carinhoso” sobre as discussões que envolvem empréstimos do BNDES para o financiamento de projetos realizados em outros países.

“Na esteira dessa crítica generalizada de que nós andamos financiando os outros em vez de financiar a nós mesmos – o que é uma estrita inverdade, a gente financiou projetos brasileiros -, nós precisamos parar de jogar fora o bebê junto com a água do banho”, disse ele.

“Esses países mais polêmicos se tornaram devedores porque os projetos aconteciam lá, tinham que ser implantados no destino”, afirmou Castro. “Por conta disso, vários produtores de serviços de engenharia, e por fatores relativos também à Lava Jato, deixaram de ser objeto de financiamento e deixaram até de operar em muitos casos”.

O presidente do BNDES ainda defendeu a necessidade de “fazer uma reflexão de como retomar esses serviços, que são relevantes para qualquer país que queira ter destaque no plano internacional”.

O crédito do BNDES para financiar obras de empreiteiras brasileiras no exterior é alvo de críticas, já que diversas foram citadas nas delações de empresários por serem superfaturadas ou envolverem pagamento de propina.

Devolução para o governo

Castro também comentou o possível pagamento, no primeiro semestre, de uma primeira parcela dos R$ 130 bilhões devidos à União, finalizando a devolução até o final do ano. “Estamos fazendo força para poder ter espaço no caixa do banco para um esforço dessa natureza”, disse ele.

Castro apontou, porém, que “não é o banco que fecha a regra de ouro para a economia brasileira ou para o governo, ele é um mero auxiliar coadjuvante”. Ele ainda indicou que é preciso analisar o tema das devoluções com cautela, pois “a tarefa de fomentar investimentos no país pode ficar prejudicada”.

Fonte: G1

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