O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 28, manter a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão do colegiado foi unânime. O colegiado indicou, porém, que pode começar o processo de corte dos juros na próxima reunião, em março.
"O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado da decisão.
O colegiado diz ainda que compromisso com a meta de inflação impõe “serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
O resultado veio conforme previam 36 das 37 casas consultadas pelo Projeções Broadcast. A decisão do colegiado foi unânime.
Essa é a quinta reunião consecutiva em que a autarquia mantém o nível da Selic. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, o BC aumentou a taxa em 4,50 pontos, o segundo maior ciclo de alta dos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
No radar
O Copom afirma, no comunicado da sua mais recente decisão, que continua acompanhando impactos do “contexto geopolítico” na inflação brasileira.
“O ambiente externo ainda se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”, diz o comunicado.
Mais cedo, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) interrompeu o ciclo de cortes iniciado em setembro e manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano - apesar das pressões do presidente dos EUA, Donald Trump.
No comunicado, o comitê também repetiu que acompanha o impacto de “desenvolvimentos da política fiscal doméstica” na política monetária e nos preços de ativos. Segundo o Copom, o cenário doméstico continua marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência da atividade e pressões do mercado de trabalho. Isso exige cautela na política monetária.
“O conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência”, disse o comitê. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação.”
Fonte: Correio do Estado
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