Para aproximar a população do debate sobre a reforma do Imposto de Renda, aprovada pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (1º), o Instituto Lamparina, o Made/FEA-USP (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades), a Sleeping Giants Brasil e a Teia de Criadores lançaram a Calculadora da Justiça.
A ferramenta, gratuita e disponível para celular e computador, permite simular quanto cada contribuinte passará a pagar ou a economizar com a reforma. O site compara ainda a alíquota efetiva de cada usuário com a dos super-ricos, que hoje pagam em média 2,5% de imposto, menos que profissionais como professores (9,6%) e policiais (9,8%).
"A discussão sobre justiça tributária costuma ficar restrita a especialistas, mas afeta diretamente a vida de milhões de brasileiros. A Calculadora da Justiça foi criada para tornar esse debate acessível e mostrar, de forma prática, como a reforma pode aliviar muito quem ganha menos e, para isso, cobrar um pouquinho mais de quem tem muito", afirma Gabi Juns, diretora executiva da Lamparina, uma das organizações responsáveis pela iniciativa.
O que a calculadora mostra
Ao entrar no site, o usuário informa sua renda — salários, aposentadorias, aluguéis ou lucros e dividendos — e escolhe se quer aplicar o desconto simplificado ou detalhar deduções. Em segundos, aparece o resultado:
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Quem ganha até R$ 5.000 recebe a mensagem: "Que alívio! Você não vai pagar imposto."
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Para rendas intermediárias, a calculadora indica a economia mensal e anual.
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Já os super-ricos veem a diferença em relação à média da população.
Como funcionará o novo cálculo
A reforma do Imposto de Renda muda a forma como milhões de brasileiros pagam o tributo. O projeto, que ainda precisa passar pelo Senado, garante isenção total para quem ganha até R$ 5.000 por mês e redução gradual para rendas de até R$ 7.350.
A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026, pode beneficiar cerca de 16 milhões de pessoas, segundo o relator do texto na Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL). O impacto orçamentário, de R$ 31,2 bilhões, será compensado pela criação de um imposto mínimo de 10% sobre altas rendas, que atinge cerca de 0,06% da população.
Pela regra aprovada, quem recebe até R$ 5.000 mensais ficará totalmente isento. Isso significa que, a partir de 2026, um trabalhador nessa faixa terá um alívio de até R$ 312,89 por mês, considerando salário e 13º.
Já quem ganha entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 terá uma redução calculada por fórmula: R$ 978,62 – (0,133145 x rendimentos tributáveis mensais).
Na prática, quanto mais próximo de R$ 7.350, menor o desconto. Quem ultrapassa esse valor não terá qualquer redução.
O IR continua a incidir sobre a base tributável —salário bruto menos descontos de INSS— e será descontado diretamente na fonte. O 13º salário pago a partir de 2026 também seguirá essa lógica, com isenção até R$ 5.000 e redução parcial na faixa intermediária.
Próximos passos da reforma
O projeto aprovado pelos deputados ainda precisa passar pelo Senado. Se mantido, valerá para salários e aposentadorias recebidos a partir de janeiro de 2026 e impactará a declaração entregue em 2027.
Parlamentares também incluíram no texto a exigência de que, em até um ano, o governo envie ao Congresso uma proposta de atualização automática da tabela do IR pela inflação. Hoje, o congelamento desde 2016 pressiona a classe média e amplia a chamada "fiscal drag" —quando o trabalhador muda de faixa e passa a pagar mais imposto sem ganho real de poder de compra.