O encontro de dois dias iniciado hoje (27) pelo Copom (Comitê de Política Monetária) para definir a Selic aquece a movimentação dos contratos financeiros usados pelo mercado para fazer as apostas na decisão a ser anunciada.
O que aconteceu
Maior parte do mercado coloca fichas na manutenção dos juros. A cada 45 dias, o Banco Central reúne sua diretoria no Copom para estabelecer a taxa básica de juros pelos 45 dias seguintes. Para a primeira reunião deste ano, a expectativa predominante é de manutenção da taxa.
- Taxa Selic, hoje em 15% ao ano, é principal referência de juros da economia brasileira. Assim, essa taxa influencia o mercado de crédito, a rentabilidade de vários investimentos, em especial de renda fixa, além de servir de base para planos de investimentos das empresas.
- Agentes econômicos precisam manter seus negócios alinhados à Selic. Cada vez que o Banco Central muda a taxa, empresas, investidores e instituições financeiras ajustam seus negócios e aplicações ao novo patamar de juros.
- Ajustes começam antes mesmo de o Banco Central decidir sobre Selic. Os agentes de mercado operam para antecipar a decisão do Banco Central por dois motivos principais: proteção e busca de ganhos.
- Um objetivo é proteger os recursos da alteração nos juros. Assim, ao usar contratos financeiros, empresas, instituições financeiras e investidores buscam evitar perdas provocadas pela nova taxa. Por exemplo, caso de uma financeira que quer manter a margem de retorno nas operações de empréstimo mesmo com um corte dos juros.
- Outro objetivo é ganhar dinheiro. Nesse caso, os agentes de mercado compram contratos futuros de juros apostando que a mudança da Selic vai valorizar as posições que eles têm.
“O mercado busca se antecipar à decisão do Banco Central. Por isso, acompanha no detalhe os comunicados e falas da diretoria do órgão para encontrar sinalizações que possam dar dicas sobre a tendência dos juros.”
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
- Contratos de juros futuros movimentam mais de R$ 10 bilhões por dia. Os negócios de taxas de juros, incluem diferentes tipos de contratos, como o Taxa DI, o Taxa Selic, o Cupom Cambial de DI e o Cupom de IPCA. Só o Taxa DI tem giro diário médio de até R$ 12 bilhões.
- Bolsa brasileira tem contrato focado em Selic. Um dos contratos negociados na B3 é o contrato de opção de Copom. Com ele, o investidor pode fazer apostas sobre a variação da taxa básica de juros, a Selic, decidida nas reuniões do Copom. Ou seja, o aplicador pode ganhar ou perder dinheiro, dependendo da decisão que for tomada pelo comitê.
“Trata-se de um produto padronizado e negociado no ambiente da Bolsa de valores, transparente quanto às expectativas de cada reunião, que permite a negociação independente para cada decisão do Copom e amplia o leque de estratégias disponíveis à proteção das carteiras de investimentos.”
Felipe Gonçalvex, superintendente de juros e moedas da B3.
Contrato de opção de Copom funciona como um 'bolão' com prêmio de até R$ 100. Quanto mais pessoas tiverem apostado na decisão vencedora, menor será o valor recebido por cada uma, ou seja, quanto maior a probabilidade que o mercado atribui para um cenário, maior o preço da opção para esse cenário.
- Posições precisam ser feitas antes das reuniões do Banco Central. O investidor vai comprar um contrato que pode variar em uma escala de 0 a 100 pontos, dependendo da probabilidade de ocorrer determinada decisão do Copom. Cada contrato vale R$ 1. O valor para comprar essa opção, também chamado de prêmio, depende das condições de oferta e da demanda do mercado, variando de R$ 1 a R$ 100.
- Contratos apontam 83% de chance de Selic ser mantida. Conforme cotações de fechamento da última sexta-feira, as opções de Copom estão embutindo uma probabilidade de 83% de manutenção da taxa nessa reunião. Se a pessoa colocar R$ 100 nesse contrato, ela vai pagar R$ 83. Acertando a posição, ela recebe R$ 100, ou seja, R$ 17 de ganho. Já a probabilidade corte da Selic em 0,25 ponto percentual está em 13,5%. Assim, se o preço é menor, de R$ 13,50 e, se a pessoa colocar R$ 100 nessa posição, e acertar, o ganho será de R$ 85,50.
- Opção de Copom tem 5,9 milhões de contratos em aberto. O vencimento dessas posições na manhã da quinta-feira seguinte ao anúncio da decisão do Copom. Caso o investidor não acerte a decisão, o contrato não é exercido, e o aplicador não recebe nada.
Fonte: UOL
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