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03/06/2019

Por 6º lugar no país, bancos digitais acirram disputa com serviços gratuitos

Conta bancária sem tarifa, transferências ilimitadas, cartão de crédito sem anuidade. A lista de serviços sem nenhum custo cresce nas novas instituições financeiras, que, com isso, querem lutar pelo sexto lugar no ranking dos maiores bancos do país em número de clientes.

O posto é atualmente ocupado pelo gaúcho Banrisul, com 2,7 milhões de correntistas. Já o quinto lugar, bem mais distante, é do Santander, que tem ao redor de 11 milhões de clientes com conta bancária.

Na semana passada, o BTG Pactual anunciou que planeja prestar serviços bancários completos no varejo, assim como o Pan, do qual o banco é sócio, também deve entrar no mercado até o fim do ano.

Na mesma linha, o C6, formado por ex-executivos do BTG, começou a enviar os primeiros convites para clientes que desejam usar os serviços ainda na fase de testes.

Em comum, as instituições só oferecem atendimento digital. A conta é aberta e movimentada pelo app para celular.

O dinheiro pode ser sacado nos caixas 24 Horas, enquanto depósitos na conta são por transferência ou pagamento de um boleto —estratégia para evitar que clientes tenham de pagar cerca de R$ 10 por uma TED para tirar o dinheiro de um grande banco.

Oferecer serviços 100% gratuitos tem um custo para os novatos. Sem um acordo com a Tecban (a empresa dona da rede 24 Horas e controlada pelos grandes bancos), é preciso que a operação passe pela bandeira do cartão, a um preço maior. Supera os R$ 6, o dobro do cobrado pelos grandes bancos.

Tudo indica que seja a única tarifa que, quando cobrada pelos bancos digitais, saia mais caro que nos bancos grandes. Na prática, os novatos absorvem o prejuízo para fidelizar clientes e ganhar com outras operações.

O resto dos custos é sempre superior nos grandes. Manutenção de conta sem tarifa? Apenas no pacote de serviços essenciais, obrigação imposta pelo Banco Central e com uso sem tarifas adicionais limitado. Transferências para outras instituições, mesmo pelo aplicativo, saem ao redor de R$ 10.

Os cartões sem anuidade começaram a aparecer, mas vinculados a um valor mínimo de gastos por mês.

O problema dos novatos é, em alguns casos, a limitação da oferta de serviços, o que exige comparação para saber se a nova instituição atenderá plenamente às necessidades do cliente (veja quadro).

A Nuconta, do Nubank, tem 5 milhões de clientes, mas 900 mil receberam o cartão de débito. Não entra tecnicamente no ranking de maiores bancos porque é uma instituição sob outra regulação, simplificada e que limita a operação.

O investimento é um só: por ser uma conta de pagamento (e não uma conta-corrente), todo o dinheiro dos clientes fica depositado no BC, que paga à instituição a taxa Selic (atualmente em 6,50% ao ano).

O Nubank divide o ganho com os clientes, paga 100% do CDI sobre o dinheiro que fica parado na conta. O CDI, atualmente em 6,34%, é sempre um pouco menor que a Selic, o que significa que a instituição fica com a diferença de taxas.

Para Bruno Magrani, diretor de Relações Institucionais, o Nubank tem incorporado serviços de acordo com a demanda. Além da conta e do cartão de crédito (com 8,5 milhões de usuários), oferece o programa de recompensas e começa a testar empréstimo pessoal.

No caso do Banco Inter, com 2,2 milhões de clientes, as lacunas mais evidentes são o programa de recompensas para o cartão de crédito e o cheque especial. Priscila Salles, diretora de marketing, diz que a demanda é tímida, o que adia a implantação do serviço.

Já a portabilidade de salário é prioridade entre os novatos: é o melhor jeito de manter o novo cliente depois que ele abriu a conta.

Folha Online

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