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19/11/2013

Mensaleiros anunciam que vão renunciar aos mandatos

Dois dos três parlamentares condenados no julgamento do mensalão – os deputados federais Valdemar da Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT) – já decidiram que vão renunciar ao mandato parlamentar assim que sair a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o cumprimento imediato das suas respectivas penas. O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) não se manifestou a respeito.
“Já passei por um conselho de ética à época que saiu o escândalo do mensalão, fui absolvido e não quero passar por tudo isso de novo”, confidenciou o médico Pedro Henry a correligionários. “Tenho uma reputação e uma profissão a zelar”, acrescentando que pretende cumprir pena em Cuiabá, onde mora um filho menor de idade.
Um dos argumentos para renunciar é de não precisar mendigar apoio para tentar continuar na vida pública, da qual já pretendia sair há muito tempo. Ainda assim, os advogados dele afirmam que vão insistir até o último recurso para tentar diminuir as penas.
A assessoria de Henry informou que ele pretende cumprir o que a Justiça determinar.
“Não posso criar esse constrangimento aos meus colegas. Não posso deixar a Câmara passar por esse constrangimento de votar um processo de cassação”, afirmou o deputado Waldemar Costa Neto, que teve embargos declaratórios negados ontem e pode ter os infringentes também rejeitados.
A pessoas próximas, o parlamentar disse querer uma “solução rápida” após sua condenação. “Errei, quero pagar logo pelo que eu fiz”, disse o deputado Waldemar da Costa Neto, demonstrando forte abatimento e a certeza de que cumprirá a pena imediatamente.

Semiaberto

O ex-ministro José Dirceu, o deputado federal licenciado José Genoino (PT-SP) e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, réus condenados no julgamento do mensalão, receberam autorização para sair da penitenciária da Papuda e ir para uma prisão em regime semiaberto, segundo informou a assessoria do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Desde sábado, eles estão na Papuda, para onde foram levados depois que se entregaram à Polícia Federal na sexta-feira. O regime na ala administrada pela PF na Papuda é fechado. Agora, eles passarão para o Centro de Progressão Penitenciária (CPP), fora da Papuda. Desde que foram transferidos para Brasília, advogados dos presos com direito a começar o cumprimento da pena no semiaberto apontam “ilegalidade” e protestam pelo fato de os clientes terem sido colocados em um regime mais “gravoso”.

Genoino: risco de morte

O Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhou para a Procuradoria Geral da República (PGR) o pedido do deputado José Genoino (PT-SP) por prisão domiciliar. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, dará um parecer sobre o pedido feito pela defesa do deputado, e só depois disso o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, tomará uma decisão. Genoino quer ficar em prisão domiciliar em São Paulo, devido ao seu estado fragilizado de saúde. O réu quer cumprir pena no regime semiaberto. O irmão de José Genoino, o líder do PT na Câmara, deputado federal José Guimarães (PT-CE), afirmou que “ele [Genoino] não pode estar onde está. É um risco de vida. Todo o País sabe disso”. Guimarães se referiu ao fato de que o petista sofre risco de morte em decorrência de possível agravamento dos problemas cardíacos.
Em reunião do diretório nacional do PT, o líder cobrou um tratamento de “direitos humanos” para os presos no processo.
Ontem, a mulher de Genoino, Rioco Kayano, a filha e o filho foram à Penitenciária da Papuda, onde o deputado está preso. Eles ficaram por cerca de 15 minutos no local conversando com militantes petistas. Hoje não é dia de visita. Dirigentes de todas as tendências do PT têm respondido quase em uníssono sobre as prisões dos petistas. O tom é de indignação e revolta contra o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa. O deputado Paulo Teixeira, em São Paulo, chegou a dizer que os mandados de prisão “cumprem um roteiro midiático do presidente do Supremo”.

Lula: julgamento total

O ex-presidente Lula disse ontem que não faz julgamento das decisões do STF e que vai aguardar o fim da análise dos embargos para se manifestar sobre o julgamento do mensalão. Lula afirmou ainda que aguarda a “lei ser cumprida” para definir visita aos presos. “Eu falei com vocês na quinta feira, ou seja, eu não faço julgamento das decisões da Suprema Corte. Eu acho que o PT soltou uma nota que condiz com a realidade do momento, ainda temos os embargos infringentes para serem votados, vamos aguardar para ver o que vai acontecer”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou em evento na Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, e mencionou as cotas para negros nas universidades e nos concursos públicos. O evento faz parte da semana da consciência negra. Ao lado do presidente da Guiné, Alpha Condé, do ativista dos direitos civis e ex-senador dos Estados Unidos Jesse Jackson e da escritora e deputada federal Irene Neto, Lula afirmou que as cotas não querem tirar “branco” da universidade ou do setor público.

 

 

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