Arrecadação de tributos federais cresce, mas em ritmo lento



Essa página teve 28 visualizações


02/10/2020 - 10:26

Após várias quedas consecutivas desde fevereiro, em meio à pandemia de covid-19, a Receita Federal voltou a registrar crescimento no recolhimento dos impostos. O resultado positivo, em grande parte, deveu-se ao início do pagamento de tributos e contribuições diferidos, ou seja, aqueles que tiveram os prazos prolongados em meio à pandemia.

Com isso, a arrecadação alcançou R$ 124,5 bilhões em agosto, registrando alta real (descontada a inflação) de 1,3% sobre mesmo intervalo de 2019 — antes, portanto, da pandemia. O resultado foi o melhor para o mês desde 2014, quando a Receita recolheu R$ 127,4 bilhões. No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, o Fisco arrecadou 13,2% a menos do que no ano passado, totalizando R$ 906,5 bilhões.

O resultado de agosto ficou acima das estimativas do mercado coletadas pelo Prisma Fiscal, do Ministério da Economia, de R$ 107,9 bilhões. Na avaliação do chefe do Centro de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias, o desempenho foi positivo, porque indica a primeira recuperação no período da pandemia. Ele reconheceu que “a atividade econômica não voltou ainda na sua plenitude”, mas demonstrou otimismo em relação a setembro e disse que os dados estão vindo “bem melhores do que os de agosto”.

O aumento na receita em agosto foi de R$ 5,5 bilhões, montante bem abaixo dos R$ 17,3 bilhões contabilizados com a receita de impostos atrasados. Esse montante, contudo, é menor do que os R$ 23,2 bilhões esperados pelo Fisco para o mês passado. De acordo com Fabio Klein, da Tendências Consultoria, esses diferimentos impulsionaram a receita, mas, mesmo retirando os efeitos desse fator e outros não-recorrentes, a arrecadação de agosto teria subido 0,64%, em termos reais. “O que, de certa forma, reflete a volta mais forte de parte da atividade econômica represada pelo isolamento social ao longo do segundo trimestre de 2020”, afirmou.

De acordo com Malaquias, um fator evitou que a arrecadação de agosto fosse maior do que o registrado: as compensações tributárias. Esse mecanismo permite que, em vez de pagar tributo, o contribuinte utilize créditos tributários apurados para efetuar a quitação. Ele contou que, em agosto, a utilização desse dispositivo cresceu 97,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, somando R$ 18,1 bilhões.

Matheus Rosa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), lembrou que o motivo principal para a alta mensal da arrecadação foi o pagamento de tributos diferidos, afetando PIS/Cofins e a Receita previdenciária, mas destacou alguns itens que mostram uma retomada econômica gradual, como a receita do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que teve alta real na comparação com o mesmo mês do ano anterior, “algo que não estávamos observando mesmo antes da pandemia”.

Rosa reconheceu que ainda é cedo para se dizer que haja uma recuperação ocorrendo, e que não dá para afirmar que exista uma tendência de arrecadação em alta. “Isso é incerto, porque depende muito da dinâmica da atividade econômica. No entanto, um fator ao qual devemos estar atentos é que ainda teremos receitas atípicas de diferimentos em outros meses até o fim do ano”, disse.

Isenção de IOF

Devido ao pagamento dos impostos diferidos, as receitas com PIS-Cofins, contribuições previdenciárias e Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) registraram altas de 16,3%, 12,3% e 25%, respectivamente. Na contramão, a arrecadação do IRPF sobre o trabalho encolheu 9,8% em agosto, na comparação com o mesmo período de 2019, refletindo queda na massa salarial. A maior redução foi do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 74,4% em agosto, devido à redução da alíquota sobre crédito. De acordo com Malaquias, o governo estuda prorrogar a redução até o fim do ano, podendo, inclusive, estender a alíquota zero para 2021, “se houver necessidade”.

 Apesar da surpresa no resultado, analistas lembram que não há uma garantia de que o ritmo de crescimento da arrecadação será crescente nos próximos meses, o que pode abrir espaço para o governo insistir em criar um imposto semelhante à CPMF para cobrir despesas do novo programa social em estudo. “O governo precisa revisar programas para criar uma receita permanente para o novo programa, caso contrário, isso é uma ponte para falar em aumento de imposto, ou de uma nova CPMF”, alertou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. Ontem, até o vice-presidente Hamilton Mourão, cogitou a possibilidade criar um novo imposto para bancar o Renda Cidadã.

Fonte: Correio Braziliense

12/07/2023 - 09:24
Especialistas defendem novas formas de custeio de sindicatos

Assunto foi debatido em evento sobre os 80 anos da CLT, no Rio

07/02/2023 - 14:40
Técnicos do Sindifiscal/MS apontam que MS deve estreitar relações com a Índia

Análise das exportações de MS aponta que as vendas para Índia em 2022 aumentaram 325% em comparação ao ano passado




Veja mais

Faltando 1 mês, 395 mil ainda não declararam Imposto de Renda em MS

Receita Federal espera receber 650 mil documentos até 29 de maio no Estado

Pesquisa aponta redução no preço do diesel no anel viário de Campo Grande

Análise considera os preços de seis postos situados em regiões estratégicas do anel viário




Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

---