Articulação frágil e alta rejeição enfraquecem previsões do governo para reforma administrativa



Essa página teve 32 visualizações


06/10/2021 - 07:55

Articulação frágil e alta rejeição enfraquecem previsões do governo para reforma administrativa

Disputa é marcada por diferentes protestos de servidores públicos contra PEC 32 nos estados e em Brasília (DF)

Aprovada no último dia 23 em comissão especial na Câmara dos Deputados, a reforma administrativa continua sendo o maior dos atuais pesadelos do funcionalismo. O segmento aproveita o intervalo entre a última votação e a avaliação da proposta pelo plenário para bombardear a medida que faz brilhar os olhos do ministro da Economia, Paulo Guedes, defensor da agenda de Estado mínimo.

Entidades que reúnem servidores têm dividido a energia entre as articulações políticas nas bases estaduais e as agendas na capital federal. As ações vão desde a organização de shows e peças de teatro com artistas populares para divulgar a campanha contra a reforma e popularizar o tema até o corpo a corpo direto com parlamentares na sede da Câmara.

O foco hoje está principalmente nos deputados aparentemente indecisos, apontados como aqueles que não fizeram qualquer manifestação pública contrária ou favorável à PEC.

Entre os oposicionistas, PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB, REDE, Solidariedade e PV fecharam questão contra a reforma. Juntas, as oito siglas reúnem uma média de 150 votos, menos de um terço do total de 513 cadeiras da Casa. Para aprovar o texto, o governo precisa de 308 votos.

Não há um levantamento matemático que indique quais parlamentares exatamente estariam no grupo dos indecisos e o funcionalismo volta suas baterias principalmente para os deputados de fora da oposição.

Com o jogo ainda amorfo, o resultado é a falta de previsão sobre o dia em que a matéria será votada, o que não foi anunciado até o momento pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), apesar da articulação e do coro do pepista nas últimas semanas pela celeridade da matéria.

 “É a pressão que nós estamos fazendo com os parlamentares de não poupar ninguém e de afirmar categoricamente: ‘Se voltar, não volta’”, atribui o coordenador-geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), David Lobão.

A identificação é a mesma do líder da oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), para quem as articulações dentro e fora da Câmara ajudam a dar ainda mais elasticidade ao calendário de tramitação da PEC.

“O governo não tem votos ainda pra votar isso no plenário e tenho muita dúvida se em algum momento terá porque é uma reforma extremamente impopular, agressiva com servidores, que nem o governo quer defender, mas que o Arthur Lira colocou na cabeça que quer aprovar”, acrescenta o pessebista, ao mencionar a falta de manifestações públicas de Bolsonaro em favor do texto.

A declaração de Molon é também uma referência às interrogações que pairam hoje no jogo político a respeito do futuro da proposta. É comum entre parlamentares e analistas políticos, por exemplo, a leitura de que não há clima para se votar a PEC neste momento no Senado, onde o governo Bolsonaro enfrenta hoje um terreno político menos fértil do que já teve em outros momentos.

Com chances de a medida emperrar após sair da Câmara, diminui entre deputados a expectativa de se votar o texto, inclusive por conta do período pré-eleitoral. Por ter alta rejeição popular, a PEC é vista como pauta antiestratégica para se colocar neste cenário.

“É por isso que acho difícil o texto chegar a ser votado se o governo não conseguir emplacar essa votação até mais ou menos o final de outubro”, acredita o analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Ele destaca o cenário de aridez para que a PEC 32 receba sinal verde do plenário e menciona a insatisfação do próprio governo com a versão atual do texto, que preservou, por exemplo, a estabilidade dos servidores, uma das reivindicações dos opositores.

Enquanto a oposição batalhou para desidratar o texto original durante os debates na comissão especial, a gestão segue defendendo uma reforma mais rígida. E, no meio dessa queda de braço, deputados de diferentes legendas de direita ainda têm resistências com a PEC e por isso tentam priorizar outras medidas.

“Um problema que dificulta a inclusão dessa matéria na pauta também é que tem várias outras matérias urgentes, como as pautas dos precatórios e o problema dos combustíveis. Outra coisa é que o governo não tem grandes articuladores políticos. Não tem ninguém que vá ao Congresso pra sentar com os deputados e tentar convencê-los. O Paulo Guedes não faz isso, por exemplo. O texto corre o risco de não andar mais por conta desse contexto”, analisa Verlaine.

Fonte: Brasil de Fato

12/07/2023 - 09:24
Especialistas defendem novas formas de custeio de sindicatos

Assunto foi debatido em evento sobre os 80 anos da CLT, no Rio

07/02/2023 - 14:40
Técnicos do Sindifiscal/MS apontam que MS deve estreitar relações com a Índia

Análise das exportações de MS aponta que as vendas para Índia em 2022 aumentaram 325% em comparação ao ano passado




Veja mais

Mercado prevê inflação de 4,86% em 2026

Expectativa é que economia do país cresça 1,85%

Governo divulga novos preços de combustíveis para cálculo do ICMS

Valores definidos pelo Confaz servem de base para tributação estadual e entram em vigor em 1° de maio

Renda comprometida do brasileiro com dívidas atinge nível recorde, diz BC

Quase metade da população está endividada no Brasil




Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

---