Editorial: Coragem para fazer a reforma administrativa



Essa página teve 36 visualizações


14/06/2021 - 08:06

Editorial: Coragem para fazer a reforma administrativa

  Jornal Gazeta do Povo

Grandes reformas macroeconômicas podem, ao mesmo tempo, ser consensuais e exigir uma boa dose de coragem. Ninguém discorda de que elas são necessárias, mas, quando chega o momento de realizá-las, sempre haverá quem se veja prejudicado pelas novas regras. Foi assim com a reforma da Previdência, e é assim até mesmo com a reforma tributária: todos concordam que o sistema tributário brasileiro é enlouquecedor e tem de ser simplificado, mas cada proposta muda a tributação sobre certos setores, e quem passar a pagar mais impostos certamente reclamará. E também é o caso da reforma administrativa, que encontra forte oposição tanto da esquerda fã do Estado grande e inchado quanto do corporativismo dos setores que serão afetados pelas novas regras propostas pelo governo.

No entanto, interlocutores ouvidos pela Gazeta do Povo no Planalto, no Ministério da Economia e no Congresso afirmam que o governo poderia estar “tirando o pé” na reforma administrativa e não estaria interessado em uma tramitação veloz, deixando a prioridade para outros assuntos, como a reforma tributária, marcos legais ou privatizações. A razão para isto é a proximidade das eleições de 2022 e a preocupação com um possível desgaste do governo com o funcionalismo público, tradicional base eleitoral do presidente Jair Bolsonaro e de vários parlamentares. “Há um desejo do governo em aprová-la [a reforma administrativa], mas não agora, porque atrapalharia a reeleição do Bolsonaro”, disse um deputado da base aliada. “Se ele torna a reforma administrativa uma prioridade, aí sim que ele complica de vez as chances de reeleição”, emendou um assessor do Planalto.

A reforma administrativa é algo que simplesmente tem de ser feito. O funcionalismo de estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já sofreu na pele as consequências de governos que resistem a colocar as contas em ordem

É evidente que ninguém quer se desgastar com sua base eleitoral, e que a esquerda aguarda ansiosamente por algum passo em falso do governo para reconquistar os servidores, prometendo-lhes tudo o que costumeiramente não é capaz de entregar – ao menos, não sem quebrar o país, como fez em 2015. Mas há dois bons motivos para que o governo, e Bolsonaro pessoalmente, se empenhem na aprovação da reforma administrativa.

O primeiro deles é o mais evidente: não há mais como adiar uma racionalização do gasto público com o funcionalismo. Não existe ajuste fiscal digno do nome sem mexer nas maiores rubricas do Orçamento e, se a reforma da Previdência atacou o problema pelo lado dos inativos (embora pudesse ter sido ainda mais eficiente neste campo), agora é preciso também enfrentar o problema dos servidores da ativa. É preciso lembrar, aliás, que os atuais servidores não serão afetados pela reforma se for mantido o projeto atual, o que já deveria servir para apaziguar os ânimos entre a categoria.

Em resumo, a reforma administrativa é algo que simplesmente tem de ser feito. O funcionalismo de estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul já sofreu na pele as consequências de governos que resistem a colocar as contas em ordem, e é este cenário de caos que é preciso evitar. Um Estado inchado e afundado em dívidas não é capaz nem mesmo de pagar seus salários em dia. Um Estado que administra sua folha com racionalidade traz confiança, que se reflete em investimentos, crescimento econômico, arrecadação e mais margem para investir e para contratar quando necessário.

Além disso, discordamos da afirmação de que, no momento, os ônus de aprovar a reforma são maiores que os bônus, e aqui reside o segundo motivo: se o país realizar o quanto antes uma boa mudança da estrutura do Estado, o Brasil inteiro sairá beneficiado com a reconquista da credibilidade internacional. As contas públicas estão devastadas depois dos gastos com o combate à Covid. Neste momento, investidores têm sérias dúvidas sobre a conveniência de colocar dinheiro no Brasil por não terem um sinal claro de que o país agirá para reverter a espiral de crescimento da dívida pública. O câmbio segue pressionado e a inflação avança, o que deve acelerar o ciclo de alta dos juros, prejudicando a retomada econômica pós-pandemia. Ações de ajuste fiscal como a reforma administrativa interrompem este círculo vicioso: o Brasil ganha credibilidade quanto à sua saúde fiscal e atrai investimentos que geram emprego e renda. Em um cenário como este, todos saem ganhando e o Brasil chega a 2022 com uma economia revigorada.

Nenhuma reforma passa sem deixar insatisfeitos. A reforma da Previdência apertou as regras para praticamente todos os brasileiros, mas ela precisava ser feita, pois a alternativa era o colapso do sistema brasileiro de aposentadorias. E foi feita, inclusive com apoio popular, demonstrado em manifestações de rua. Com a reforma administrativa ocorre o mesmo: ela pode irritar o funcionalismo – embora, lembramos mais uma vez, as regras propostas não se apliquem aos atuais servidores –, mas é uma necessidade urgente do país. Um eventual desgaste entre o funcionalismo será largamente compensado pelos efeitos benéficos desta reforma para todo o Brasil: no médio e longo prazo, com a redução dos gastos do governo; mas também no curto prazo, com a sinalização de compromisso com o ajuste fiscal e a consequente atração de investimento. Entre ceder ao corporativismo e deixar um legado positivo para um país inteiro, a escolha é óbvia. Basta reconhecê-la e colocá-la em prática.

  Foto: Edu Andrade/Ascom/ME Fonte: Gazeta do Povo  

12/07/2023 - 09:24
Especialistas defendem novas formas de custeio de sindicatos

Assunto foi debatido em evento sobre os 80 anos da CLT, no Rio

07/02/2023 - 14:40
Técnicos do Sindifiscal/MS apontam que MS deve estreitar relações com a Índia

Análise das exportações de MS aponta que as vendas para Índia em 2022 aumentaram 325% em comparação ao ano passado




Veja mais

Mercado prevê inflação de 4,86% em 2026

Expectativa é que economia do país cresça 1,85%

Governo divulga novos preços de combustíveis para cálculo do ICMS

Valores definidos pelo Confaz servem de base para tributação estadual e entram em vigor em 1° de maio

Renda comprometida do brasileiro com dívidas atinge nível recorde, diz BC

Quase metade da população está endividada no Brasil




Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

---