Emendas impositivas dificultam metas orçamentárias de 20 prefeituras em MS

Pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios aponta que emendas impositivas dificultam metas orçamentárias

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16/06/2026 - 15:03

Em 20 municípios de Mato Grosso do Sul, as emendas dos vereadores dificultam que os prefeitos cumpram as metas orçamentárias, de acordo com levantamento inédito elaborado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Os dados foram obtidos pela entidade em 51 localidades sul-matogrossenses, das quais em 37 os vereadores controlam parte do orçamento.
 
O  estudo “o Desafio das Emendas Impositivas de Vereadores para a Gestão Municipal”  foi realizado por meio de entrevistas telefônicas, distribuindo os questionários entre pequenos municípios, com população de até 50 mil habitantes; médios municípios, com população compreendida entre 50 mil habitantes até 300 mil habitantes; e grandes Municípios, com população superior a 300 mil habitantes.
 
O levantamento dos dados foi realizado entre  26 de novembro do ano passado e 3 de fevereiro na sua primeira etapa, englobando 1.611 Municípios. Entre 15 de janeiro e 3 de fevereiro houve uma segunda etapa de refinamento dos resultados. O primeiro questionário foi aprofundado entre os dias 2 e 24 de abril, ampliando a amostragem, passando de 1.611 respondentes para 3.207.
 
Em Mato Grosso do Sul foram pesquisados 51 das 79 localidades, sendo que em 37 (46% das 79 cidades do estado) os vereadores podem apresentar emendas impositivas, controlando parte do orçamento das prefeituras. Em 14, não.  Destas, em 20 a existência das emendas impositivas está dificultando o cumprimento das metas definidas no orçamento municipal, em outras 14 não compromete e três prefeituras não responderam.
 
No cenário nacional, 37% dos gestores locais (962 Municípios), a existência de emendas impositivas dificulta o cumprimento de metas estabelecidas pelo Orçamento municipal, enquanto outros 45% (1.179 Municípios) informaram não haver dificuldade relacionada.
 
“Esse cenário indica que o aumento de rigidez das receitas orçamentárias, somado à necessidade frequente de complementação das dotações, podem enfraquecer o cumprimento de metas estruturantes estabelecidas pelo gestor local, prejudicando a execução das políticas públicas efetivamente relevantes para a população.”, aponta o estudo.
 
O levantamento aponta que além das emendas impositivas dos vereadores em 37 localidades sul-mato-grossenses, existem emendas impositivas de bancada 11 municípios. Outros 25 não tem e uma prefeitura não respondeu.
 
Sobre o investimento destas emendas impositivas individuais sobre a Receita Corrente Líquida (RCL) da localidade. No estado são 11 com até 1%, seis de 1% a 1,55%; nove de 1,56% a 2%; três de 2% a 3%; mais de 3%, são duas localidades. Seis não responderam.
 
No Brasil, em 47% dos municípios pesquisados, “o percentual de execução definida aponta um cenário preocupante em relação à rigidez das receitas orçamentárias. De acordo com as respostas, somente 22% das localidades reservam menos de 1% da sua Receita Corrente Líquida (RCL), enquanto outros 31% reservam acima do percentual máximo admitido pela jurisprudência do STF, de 1,55% (813 Municípios na análise extrapolada), considerando os percentuais de 25% da educação e 15% da saúde”, concluiu o levantamento. 
 
Outro ponto destacado pela  CNM é que “quase 30% dos Municípios não souberam precisar o percentual exato, pode-se inferir que o grau de comprometimento do orçamento local pode ser ainda maior, ampliando o descumprimento do percentual máximo admitido. Isso porque, em nível federal, o limite é de 2% da RCL, considerando 1,55% para os deputados federais e 0,45% para senadores, o que não pode se aplicar por simetria aos entes subnacionais por serem unicamerais, limitando-se, por conseguinte, a 1,55% da RCL.”
 

Fonte: Correio do Estado
Foto: Divulgação
 

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