30/07/2026 - 15:52
Mato Grosso do Sul recebeu R$ 1,280 bilhão em empréstimos no primeiro semestre de 2026. Os recursos entraram por meio de operações de crédito contratadas no mercado interno, conforme o balanço das contas estaduais publicado nesta quinta-feira (30).
Os números constam no RREO (Relatório Resumido da Execução Orçamentária), divulgado pela Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda). O documento apresenta receitas e despesas registradas entre janeiro e junho.
A previsão atualizada para operações de crédito internas ao longo de todo o ano é de R$ 1,364 bilhão. Dessa forma, até junho, o Governo do Estado já havia recebido 93,86% do montante projetado para 2026.
Somente no terceiro bimestre, que compreende maio e junho, ingressaram R$ 201,8 milhões provenientes de empréstimos. Não houve entrada de recursos por operações de crédito no mercado externo durante o período.
Ao considerar também os financiamentos internacionais previstos, as operações de crédito têm orçamento atualizado de R$ 1,576 bilhão. Desse total, 81,23% já haviam sido realizados no primeiro semestre.
O relatório não informa, no quadro sobre as receitas, quais instituições financeiras concederam os empréstimos, as taxas de juros, os prazos de pagamento nem o destino individual de cada contrato. Por isso, não é possível afirmar, apenas com base no documento, quais obras ou programas foram financiados com os R$ 1,28 bilhão.
No mesmo período, o Estado empenhou R$ 2,231 bilhões em educação, o equivalente a 12,53% de todas as despesas empenhadas até junho. Desse total, R$ 1,918 bilhão já havia sido liquidado, etapa que indica o reconhecimento de que o serviço foi prestado ou o produto entregue.
O ensino médio concentrou a maior parte dos compromissos da área, com R$ 1,015 bilhão empenhado. Na sequência aparecem a administração geral da educação, com R$ 674 milhões, e o ensino fundamental, com R$ 337,3 milhões.
Na saúde, foram empenhados R$ 1,494 bilhão, dos quais R$ 1,186 bilhão havia sido liquidado até o fim do semestre. A assistência hospitalar e ambulatorial respondeu por R$ 1,172 bilhão dos empenhos, seguida pela administração geral, com R$ 151,8 milhões, e pela atenção básica, com R$ 75,2 milhões.
Já a assistência social teve R$ 245,7 milhões empenhados e R$ 220,8 milhões liquidados. A maior parcela ficou na subfunção de segurança e renda, com R$ 173,5 milhões, enquanto os serviços socioassistenciais receberam empenhos de R$ 42,5 milhões.
O relatório também aponta R$ 1,389 bilhão empenhado em segurança pública, com R$ 1,222 bilhão liquidado. A previdência social, por sua vez, concentrou R$ 3,288 bilhões em empenhos, o maior valor entre as funções detalhadas.
Empenho, contudo, não significa que o dinheiro já foi pago. Trata-se da reserva orçamentária feita pelo governo para determinada despesa. A liquidação ocorre quando a administração reconhece que o serviço foi executado ou o material entregue. O pagamento vem depois.
Considerando todas as áreas e também as despesas internas entre órgãos públicos, Mato Grosso do Sul empenhou R$ 17,806 bilhões no primeiro semestre. As despesas liquidadas somaram R$ 14,649 bilhões e os pagamentos chegaram a R$ 13,563 bilhões.
No mesmo intervalo, a receita realizada alcançou R$ 15,150 bilhões, equivalente a 53,48% da previsão anual. O balanço registra superávit orçamentário de R$ 500,6 milhões, calculado pela diferença entre receitas realizadas e despesas liquidadas.
O resultado positivo não representa necessariamente dinheiro livre no caixa. Parte das despesas já foi empenhada e ainda poderá ser liquidada e paga nos próximos meses.
Dívida aumentou
A dívida consolidada estadual chegou a R$ 11,58 bilhões em junho, ante R$ 10,29 bilhões registrados no encerramento de 2025. A diferença nominal é de aproximadamente R$ 1,29 bilhão.
O crescimento tem valor próximo ao recebido por meio das operações de crédito. Ainda assim, o relatório isoladamente não permite afirmar que toda a elevação decorra dos novos empréstimos, porque o saldo da dívida também pode sofrer efeitos de juros, correções, pagamentos e outras movimentações financeiras.
Fonte: Campo Grande News
Foto: Marcos Maluf