18/08/2026 - 13:07
Mato Grosso do Sul fechou junho com 135.731 empresas inadimplentes, que acumulavam 1.110.393 dívidas negativadas, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Juntos, os débitos somavam R$ 3,97 bilhões, em um cenário de pressão sobre o caixa das empresas e de crédito ainda restritivo.
Os números colocam Mato Grosso do Sul como o quarto estado do Centro-Oeste em quantidade de empresas inadimplentes, atrás de Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso. A região registrou 796.042 CNPJs no vermelho no período.
Apesar de ter o menor número de empresas inadimplentes entre os quatro estados do Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul apresentou valores elevados quando considerada a média das dívidas. Cada empresa sul-mato-grossense inadimplente tinha, em média, 8,2 dívidas negativadas, com dívida média de R$ 29.305,52. O ticket médio, que corresponde ao valor médio de cada dívida, ficou em R$ 3.582,22. (veja o quadro abaixo).

Em quantidade de empresas, Mato Grosso do Sul respondeu por cerca de 17% dos CNPJs inadimplentes do Centro-Oeste. Em relação ao volume financeiro, os quase R$ 4 bilhões em débitos representam aproximadamente 19% das dívidas negativadas da região, que chegaram a cerca de R$ 20,5 bilhões.
Entre os estados do Centro-Oeste, Goiás apresentou o maior número de empresas inadimplentes em junho, com 250.101 CNPJs. O estado também registrou 1.472.763 dívidas negativadas, que somaram R$ 4,39 bilhões.
Na sequência aparecem o Distrito Federal, com 225.060 empresas inadimplentes, 1.881.269 dívidas e R$ 6,67 bilhões em débitos, e Mato Grosso, com 185.150 empresas, 1.545.592 dívidas e R$ 5,54 bilhões.
Mato Grosso, embora tenha menos empresas inadimplentes que Goiás e o Distrito Federal, apresentou a maior dívida média por empresa da região, de R$ 29.930,62, além do maior ticket médio, de R$ 3.585,46.
Inadimplência bate recorde no país - O cenário regional ocorre em meio ao avanço da inadimplência empresarial em todo o país. Em junho, o número de empresas inadimplentes no Brasil superou 9,1 milhões de CNPJs, maior marca da série histórica da Serasa Experian.
As empresas negativadas acumulavam R$ 232,9 bilhões em dívidas. Em média, cada CNPJ inadimplente tinha 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 e ticket médio de R$ 3.515,77.
No ranking nacional, Mato Grosso do Sul aparece próximo do fim da lista entre os estados com maior quantidade absoluta de empresas inadimplentes. O gráfico da Serasa mostra o estado com 135.731 CNPJs, número inferior ao do Espírito Santo, com 136.167, e superior ao Maranhão, com 119.250.
A maior concentração está em São Paulo, com 3.126.658 empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais, com 907.558, e Rio de Janeiro, com 874.385. Também aparecem entre os maiores números Paraná, com 601.986, e Rio Grande do Sul, com 527.555.
Serviços concentram maioria dos CNPJs inadimplentes - Considerando o perfil das empresas inadimplentes em todo o país, o setor de Serviços concentrava 55,7% dos CNPJs negativados em junho. O Comércio vinha na sequência, com 32,2%, seguido por Indústria, com 8%, e Primário, com 0,9%.
A Serasa Experian aponta que a composição das dívidas indica forte relação da inadimplência com compromissos financeiros ligados à manutenção das operações e ao capital de giro.
Entre as origens das dívidas, Serviços representava 31,6% do total, seguido por Bancos/Cartões, com 19,5%. Na sequência estavam Cooperativas, com 8,4%, Utilities, com 6,9%, e Telefonia, com 6%.
Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o cenário ainda é de dificuldade para as empresas, mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic.
"Os dados mostram que a inadimplência segue avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic. Isso acontece porque as condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito. Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa", afirma.
Micro e pequenas empresas concentram maior parte dos débitos - As micro e pequenas empresas continuam representando a maior parcela da inadimplência empresarial brasileira. Em junho, 8,6 milhões de CNPJs desse grupo estavam negativados.
Juntas, essas empresas acumulavam 59,7 milhões de dívidas, que somavam R$ 201,4 bilhões. Em média, cada micro ou pequena empresa tinha 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47.
Para Camila Abdelmalack, a situação exige atenção porque o acúmulo de compromissos financeiros aumenta a pressão sobre o fluxo de caixa e reduz a capacidade de investimento dos pequenos negócios.
"O quadro das micro e pequenas empresas continua sendo o mais preocupante, porque estamos falando de negócios que acumulam, em média, quase sete pendências financeiras simultaneamente. Para empresas desse porte, esse volume de compromissos representa uma pressão significativa sobre o fluxo de caixa e reduz a capacidade de investimento e de crescimento. Em um cenário em que os juros permanecem elevados e a desaceleração econômica tende a ganhar intensidade no segundo semestre, a gestão financeira passa a ser ainda mais decisiva para preservar a sustentabilidade dos negócios", conclui.
O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas considera inadimplente a empresa que possui pelo menos um compromisso financeiro vencido cujo não pagamento tenha sido formalmente comunicado pelo credor. A apuração leva em conta as notificações registradas até o último dia de cada mês de referência.
Fonte: Campo Grande News
Foto: Getty Images, Criador: katleho Seisa