O diesel S-10, que até sexta-feira custava R$ 6,49 em média por litro, já está sendo vendido nos postos “mais econômicos” a R$ 6,99 no pagamento à vista.
Chama a atenção o preço do etanol, biocombustível produzido em larga escala em Mato Grosso do Sul. O combustível é encontrado, nos postos conhecidos por vender mais barato, a R$ 4,39 o litro. O valor é muito superior ao encontrado na pesquisa da ANP, cujo preço médio foi de R$ 4,29.
Pesquisa
Falando em ANP, a pesquisa publicada no sábado já mostra valores bem superiores aos da semana anterior, os primeiros a detectarem altas nos preços.
O preço médio do etanol foi de R$ 4,21 para R$ 4,28 (1,7%) em apenas uma semana em Campo Grande. Mesmo não sendo um derivado de petróleo, o preço do combustível historicamente acompanha as variações do preço da gasolina, mesmo ele integrando 30% da gasolina vendida no Brasil e, em tese, amortecendo o impacto das variações no mercado de petróleo sobre o produto das refinarias.
O preço da gasolina comum disparou: foi de R$ 6,05 para R$ 6,19 em Campo Grande (2,31%). O valor não leva em consideração os novos aumentos do fim de semana, como retratado no início da reportagem.
A gasolina aditivada viu o preço médio saltar de R$ 6,24 o litro para R$ 6,40 (2,56%). Já o preço médio do óleo diesel pulou de R$ 6,49 para R$ 6,90 (alta de 6,3%).
Procon monitora
Em meio às disparadas dos valores, a Secretaria-Executiva de Orientação e Defesa do Consumidor (Procon-MS) diz que apenas monitora os movimentos. Na sexta-feira, os Procons estadual e municipal estiveram reunidos com donos de postos e distribuidoras.
“A gente quer compreender melhor se eles estão fazendo sobrepreço no processo de distribuição”, disse o secretário-executivo do Procon-MS, Antônio José Ângelo Motti.
Após a reunião, realizada na tarde de quinta-feira no Procon-MS, Motti disse que o objetivo era “entender” o processo de formação do preço do combustível e se havia outras variáveis nele.
Segundo o secretário-executivo, os representantes das distribuidoras e de postos informaram que outros custos, que vão além de impostos e do valor pago pelo combustível nas refinarias e de importadores, também são levados em consideração.
“São outros valores que não são apenas do processo contábil. Existe um custo econômico trazido pelas distribuidoras para nós, que a gente quer compreender melhor até para avaliar se eles estão fazendo sobrepreço no processo de distribuição ou não. Havendo, e eles não tendo como comprovar isso, logicamente que isso será medido pelos órgãos de controle do direito do consumidor”, relatou.
ICMS
Também na quinta-feira, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), disse que a proposta do governo federal para que estados e o Distrito Federal zerem temporariamente o Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a importação de diesel, para conter a alta dos preços dos combustíveis, pode gerar um impacto “muito sério” para as unidades da Federação.
“Num primeiro momento, todos os secretários são contra, pelo impacto que isso gera no fluxo de caixa dos estados de uma hora para outra. Com toda a programação que se tem para a Saúde, para a Educação, você simplesmente tirar isso vai ter um problema muito sério nos estados”, disse Riedel.
No entanto, o governador ressaltou que a União se comprometeu a compensar 50% da perda de arrecadação e que os chefes do Executivo dos estados ainda vão discutir essa questão nesta semana.
“Acho que alguma coisa deve ser feita, mas nós temos que entender qual é essa proposta, porque eles ainda não a têm pronta e a levarão na semana que vem”, declarou.