Recomendação do FMI para que países não retirem estímulos joga pressão sobre governo



Essa página teve 28 visualizações


25/11/2020 - 08:32

BRASÍLIA - A recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI) para os países evitarem a retirada prematura dos estímulos fiscais concedidos para combater os efeitos da pandemia do novo coronavírus aumentou a pressão sobre o governo brasileiro com a proximidade do fim do auxílio emergencial e do estado de calamidade, previsto para o fim do ano.

Na reunião de cúpula virtual do G-20, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, no final de semana, defendeu que autoridades globais evitem retirar iniciativas de alívio fiscal de forma prematura. Segundo ela, agora é hora de se preparar para um impulso sincronizado de investimento em infraestrutura verde e digital para revigorar o crescimento, limitar cicatrizes e atender às metas climáticas.

Em recente entrevista ao jornal Financial Times, a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, afirmou que é consenso que o estímulo fiscal foi retirado muito rapidamente logo após a crise financeira internacional, em 2008, um erro que se deve evitar agora na pandemia da covid-19. A economista do fundo destacou que há boas formas de investimento público que podem criar empregos, aumentar a atividade econômica e, ao mesmo tempo, ser fiscalmente prudentes para ajudar a reduzir a dívida. Uma medida que na avaliação é essencial quando há um alto nível de incertezas.

A recomendação do FMI causou preocupação na equipe econômica brasileira que tem defendido a consolidação fiscal e apontado para os representantes do organismo multilateral que a situação do Brasil é diferente. “O FMI não se atentou para situação específica do Brasil, onde o conjunto de instrumentos utilizados para combater os efeitos econômicos da pandemia foi mais elevado e resultou em gastos maiores do que em outros países”, disse ao Estadão o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida. 

Segundo ele, dadas as suas características específicas, o Brasil está num momento onde é mais importante para a população mais pobre defender a consolidação fiscal do que a expansão do gasto público. “O Brasil encontra-se hoje numa situação em que, se gastarmos muito, a inflação sobe, os juros aumentam, o desemprego aumenta, o investimento e o PIB caem”, ressalta. Para ele, defender a consolidação fiscal não é questão de ideologia, mas política que protegem, em especial, a população mais pobre.

Com a elevação dos números de  casos da doença e o risco de uma segunda onda no Brasil, aumentou a pressão para a extensão do auxílio em 2021, mesmo que em valor e quantidade menor. Como revelou o Estadão, o assunto está em discussão no governo, embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, venha afirmando que não trabalha no momento com essa possibilidade.  O governo não descarta a prorrogação no caso de uma segunda onda.

O professor de economia da Universidade Federal de Minas Gerais, João Prates Romero, avalia como acertada a recomendação do FMI também para o Brasil. “Não é defender que não tenha atenção com o déficit (rombo nas contas públicas), mas existem formas de voltar ao debate do desenho da regra do teto de gastos (regra que proíbe que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação) para fazer investimentos”, diz ele.

Romero defende que seja criado um subteto para os investimentos ficarem fora fora da regra, aprovada em 2017. Ele alerta que quando o auxílio acabar, a situação ficará crítica porque o quadro para 2021 é ainda muito difícil com empresas muito debilitadas e metade da população com idade para trabalhar desocupada. Ele defende a prorrogação das medidas, incluindo o auxílio, e maior flexibilidade das regras fiscais.

Para o presidente da Associação Keynesiana Brasileira, Fabio Terra, a posição do FMI é acertada porque não se sabe se haverá uma segunda ou mesmo terceira onda de longa duração. "É sabiamente recessivo. A pior coisa que pode acontecer na economia são choques, como um que decorreria de uma consolidação fiscal brusca - ainda mais após uma crise tal qual a que se vive hoje", avalia.

Segundo ele, a situação fiscal demanda atenção pela necessidade de pensar o equilibro no médio prazo, enquanto que no curto prazo deve ser exercitar a "força do fiscal" na economia e a necessidade de ele puxar a recuperação. "Claro que isso vale para o Brasil tanto quanto para o mundo todo. O Brasil não tem diferença do mundo neste sentido: por que teria?", questionou. A associação está promovendo esta semana encontro internacional em que, entre outros temas, debate os efeitos da pandemia na economia e as medidas adotadas.

Fonte: Estadão

12/07/2023 - 09:24
Especialistas defendem novas formas de custeio de sindicatos

Assunto foi debatido em evento sobre os 80 anos da CLT, no Rio

07/02/2023 - 14:40
Técnicos do Sindifiscal/MS apontam que MS deve estreitar relações com a Índia

Análise das exportações de MS aponta que as vendas para Índia em 2022 aumentaram 325% em comparação ao ano passado




Veja mais

Faltando 1 mês, 395 mil ainda não declararam Imposto de Renda em MS

Receita Federal espera receber 650 mil documentos até 29 de maio no Estado

Pesquisa aponta redução no preço do diesel no anel viário de Campo Grande

Análise considera os preços de seis postos situados em regiões estratégicas do anel viário




Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

---