Reforma tributária: Setor de serviços diz a Guedes que tributo pode triplicar



Essa página teve 38 visualizações


24/07/2020 - 09:57

Um dia depois de apresentar a primeira parte da reforma tributária do governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu ontem com representantes do setor de serviços, segmento mais prejudicado pela proposta do governo. No encontro, ele ouviu críticas, admitiu que o texto prejudica o setor, mas pediu paciência.

O encontro foi fechado, durou mais de três horas e reuniu cerca de 60 representantes dos setores de comércio, serviços, bares e restaurantes. Guedes propôs a unificação dos impostos federais PIS e Cofins, com uma alíquota geral de 12%, em um novo tributo, chamado de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Pelo projeto do governo, todas as empresas passariam a ser tributadas pelo sistema não cumulativo, que prevê créditos nas compras de insumos. Ao contrário da indústria, o segmento de serviços compra poucos insumos e é intensivo em mão de obra, por isso teme ser prejudicado.

A mudança vai quase triplicar a carga tributária do setor, segundo levantamento do tributarista Ilan Gorin sobre o efeito da medida. Ele aponta que hospitais, clínicas e escolas estão entre os mais prejudicados.

Isso porque eles recolhem hoje uma alíquota efetiva de 3,54% e passarão a pagar 9%. O governo propõe alíquota geral de 12%, mas o percentual de fato pago é a chamada alíquota efetiva, que varia de acordo com a atividade econômica.

Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, entidade que representa as mantenedoras das instituições particulares de ensino superior, diz que na sua atividade a carga vai mais do que triplicar:

— Seria uma elevação da carga tributária sobre a receita dos atuais 3,65% para 12%. Não há quase nada sobre o que se possa deduzir de PIS/Cofins em nosso setor.

Necessidade de desoneração Em seguida, aparecem prestadores de serviços, como escritórios de advocacia, e empresas de porte médio, que pagam 3,54% e passarão a recolher 8%. Em terceiro lugar, estão os ramos de informática e hotéis, que passarão a pagar 7,62% contra os atuais 3,54%.

— Se o governo quer favorecer o emprego, como aceitar um aumento de carga tributária agora para diminuir depois? — disse Gorin.

Para reduzir as resistências do setor, Guedes promete reduzir os impostos sobre a folha de pagamento das empresas (a contribuição patronal ao INSS). Para isso, porém, quer criar um imposto sobre pagamentos e transações eletrônicas. Essa parte da reforma, entretanto, ainda não foi enviada pelo governo ao Congresso.

— Ficou muito claro que o envio do PIS/Cofins para o setor de serviços é uma pá de cal, se não for acompanhado da desoneração da folha. Portanto, houve um apoio unânime para nós levarmos adiante o imposto digital — disse Guilherme Afif Domingos, assessor especial de Guedes.

A fala do ministro sobre o tamanho da desoneração, porém, desanimou o setor, segundo relatos. De acordo com o presidente da Federação de Hospedagem e Alimentação, Alexandre Sampaio, Guedes falou que não conseguirá desonerar a folha totalmente no primeiro momento, e que o processo deverá ser restrito inicialmente à faixa salarial de até 1,5 salário mínimo.

— Nós deixamos claro que só vamos entubar a CBS se desonerar a folha — afirmou Sampaio.

Guedes trabalha num calendário em que as duas medidas serão aprovadas até o fim deste ano, para entrar em vigor em 2021.

Durante a reunião, o ministro abriu espaço para perguntas. Nesse momento, ao responder a Flávio Rocha, da Riachuelo, Guedes teria dito que reduzirá quase a zero a contribuição do INSS sobre a folha. E completou que a alíquota do novo imposto sobre pagamentos será inferior a 0,4%.

Seguro-desemprego:  Pedidos sobem 14% e já chegam a 4,2 milhões em 2020

‘Galinha dos ovos de ouro’ Integrantes da equipe econômica buscam o apoio das empresas para aprovar a proposta no Congresso. Um argumento usado pela equipe de Guedes é que a maior parte das empresas de serviços está no Simples Nacional, que não será alterado, e que as demais passarão o custo ao consumidor.

— Já estamos passando por dificuldades com a pandemia. Se uma alíquota de 12% for aprovada, o governo vai matar sua galinha dos ovos de ouro. Somos o setor que mais arrecada e representamos quase 70% da economia. Precisamos de uma contrapartida com a desoneração da folha de pagamentos — afirmou o presidente da Central Brasileira do Setor de Serviços (Cebrasse), João Diniz, entidade que representa 8,1 milhões de trabalhadores e 800 mil empresas.

Segundo ele, o setor de serviços banca na folha de pagamento 43% em impostos. Nos Estados Unidos e no Chile, a carga é de 29% e 9%, respectivamente.

Setor de ensino teme efeitos Quanto ao efeito do novo tributo sobre o preço final dos serviços, as instituições de ensino superior estimam que suas mensalidades teriam que sofrer um reajuste de até 7%. Mas num cenário de pandemia, com expectativa de inadimplência recorde de 11% para este ano e evasão elevada, seria praticamente impossível fazer esse repasse, inviabilizando muitas instituições.

— Se essa proposta for aprovada, será um tiro de misericórdia no setor, que já vive um cenário difícil causado pela pandemia, com alta de inadimplência e evasão — diz Capelato, diretor-executivo do Semesp.

Segundo ele, a proposta do governo faz sentido para setores que possuem uma cadeia produtiva mais longa, com utilização de insumos, onde é possível abater esses impostos. No caso das instituições de ensino, 70% dos custos são com a folha de pagamento de professores e funcionários.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu ontem a necessidade da aprovação da reforma tributária ainda este ano, a fim de tornar mais justo o sistema e proporcionar a possibilidade crescimento do país.

Fonte: O Globo

12/07/2023 - 09:24
Especialistas defendem novas formas de custeio de sindicatos

Assunto foi debatido em evento sobre os 80 anos da CLT, no Rio

07/02/2023 - 14:40
Técnicos do Sindifiscal/MS apontam que MS deve estreitar relações com a Índia

Análise das exportações de MS aponta que as vendas para Índia em 2022 aumentaram 325% em comparação ao ano passado




Veja mais

Edital de convocação do Conselho Deliberativo

Reunião ordinária acontece no próximo dia 26, por meio de videoconferência

Edital de convocação do Conselho Fiscal

Reunião ordinária acontece no dia 24 de junho (quarta-feira), por meio de videoconferência

Receita paga lote especial de restituição automática em julho

Consulta poderá ser feita a partir do dia 8 de julho




Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul - SINDIFISCAL/MS

---