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07/10/2013

Taxa de investimento deve chegar a 19% do PIB, diz BNDES Conteúdo exclusivo para assinantes

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou na última sexta-feira que a taxa de investimento no País deve chegar à marca próxima a 19% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. “O Brasil tem um grande desafio estrutural para a sustentação do crescimento que é o investimento.” Segundo ele, a ampliação da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) é fundamental para que o País possa ter uma expansão do PIB entre 4,5% e 5%.
Coutinho destacou que entre a década de 1970 e 1980 a taxa de investimento alcançou 25%, o que permitiu crescimento do País médio entre 7% e 8%. Ele afirmou, contudo, que como o Brasil tinha dificuldades para gerar poupança interna, o financiamento externo preponderou, o que fez com que o déficit de transações correntes atingisse a média de 3,6% ao ano no período. “Precisamos aumentar a poupança doméstica”, destacou.
Luciano Coutinho destacou ainda que o sistema de financiamento e poupança no País ainda está “distorcido por uma estrutura de termo de juros de curto prazo ainda muito altos”. “Me preocupa porque o financiamento de longo prazo está concentrado em mecanismos parafiscais e ad hoc [para um fim específico, no latim], suportados pelo FAT e pelo Tesouro, que merecem preocupação porque não são mecanismos estáveis”, disse Coutinho, em evento do Instituto de Economia da Unicamp.
Ele mencionou que a questão do “curto prazismo” do sistema de poupança financeira é uma “anomalia não superada”. Segundo o presidente do BNDES, é preciso enfrentar uma agenda para formular uma estratégia “para induzir a transformação do sistema brasileiro de poupança e financiamento normal”.
Coutinho apontou também que a redução da “profunda desigualdade social brasileira” avançou nos últimos anos, mas ainda há um desafio para melhorar a renda per capita. Segundo o ele, um crescimento econômico de 2,5% é suficiente para absorver toda a força de trabalho do País. “Se a intenção for crescer entre 4,5% e 5%, para aumentar a renda per capita, é necessário melhorar a produtividade, que vem caindo”, disse.
Coutinho fez questão de reafirmar ser importante para o País no longo prazo incorporar ao setor manufatureiro novas tecnologias que estão surgindo, especialmente com o avanço das telecomunicações e informática. Ressaltou que, se isso não ocorrer, a estrutura industrial do Brasil poderá ficar obsoleta anos à frente.
“Precisamos pensar que se não avançarmos em construir bases para incorporar ao sistema industrial brasileiro partes desses novos sistemas e se não encontrarmos formas de nos inserirmos nos processo de transformação, corremos o risco nas próximas décadas de nos ‘obsoletizarmos’ do ponto de vista estrutural”, disse.
Coutinho ressaltou que princípios básicos de estabilidade econômica, relacionados especialmente aos preços e à gestão das contas públicas, são essenciais para viabilizar um padrão financeiro internacional, com fortalecimento do mercado de capitais. 

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